Ong PDNF - menu 2
Ong pdnf
Histórico
Agenda
Sócios
Contato
Luiza Flores
Literatura de Cordel
Francisco Diniz, Santa Rita-PB, 26.09 a 15.10.2025.
Hoje Luiza Maria
De Araújo Pereira
Será homenageada
Em tradição brasileira,
Nordestina, o cordel,
Que é arte de primeira,
Bem como também é arte
Nossa homenageada
Luiza Flores
, que assim
Em Santa Rita é chamada
Devido à floricultura
Por ela um dia criada.
Luiza ainda é Arte
Porque fora Professora
Da distinta Disciplina
E também por ser gestora
De cultura na cidade
E do saber fazedora.
Luiza é filha de Antônio,
Sua mãe é Dona Nena,
Mas ambos já não estão
Conosco mais nessa cena,
Posto que se encantaram
E que pra nós é uma pena.
Seu Antônio era boêmio,
De uma voz muito bonita,
Dona Nena, costureira,
Que além de laço e fita
Pregou bons ensinamentos
Em que a prole acredita.
1
O casal teve além
De Luiza 5 filhos:
A Conceição, o Toinho
E
Agnelo
cujos brilhos
Hoje estão no infinito,
E por aqui seguem os trilhos
Carminha
e
Adriano
Sempre juntos à Luiza
Nos trabalhos de cultura,
Quando se confraterniza
A família em festejo
Que algum membro organiza.
Luiza nasceu no dia
De passarinho cantar,
Foi em 8 de abril,
O ano não vou falar,
Quem quiser ser indelicado
Pode a ela perguntar,
Que aos 5 de idade
Veio de Ceará-Mirim,
No Rio Grande do Norte,
E quem disse para mim
Foi seu irmão Adriano,
Contou tintim por tintim,
Porém vou aqui mostrar
Como eu a conheci
No fim dos anos 80
Quando então eu decidi
Fazer um curso de Cultura
Popular para fluir
2
Dançando coco, xaxado,
Forró, ciranda e baião
Lá na UFPB
Num curso de extensão,
Ali nossa amizade
Ganhou traço de irmão.
Ela era Professora,
Portanto, já trabalhava,
Eu não tinha rendimentos
E apenas estudava,
Tempos de dificuldades
Com o dinheiro que faltava.
A partir desse período
Luiza foi um alento
Para mim, e eu não esqueço,
Sou grato a todo momento
Pela ajuda financeira,
Por tanto acolhimento.
Eu pagava o aluguel
Com o dinheiro contado
Que os meus pais me enviavam
Lá do Sertão do Estado,
Inda lembro o quitinete
Como era apertado.
Pra evitar essa despesa
Luiza me perguntara
Se eu não queria morar
Num quarto que ela montara
Ao lado de sua casa,
Eu de pronto aceitara.
3
Fui pra lá e comecei
Vez em quando a ajudar
Nas coisas que ela fazia,
De letreiros a pintar
Quadros, faixas e paredes
Tudo que ela ia inventar.
Numa dessas invenções
Fui uma pintura fazer
Lá na Escola Dom Bosco
Quando aí vim conhecer
Joaquim Soares
que era
Professor e veio dizer:
- Luiza vamos falar
Com Peinha porque aqui
Nesta Escola Dom Bosco
Uma vaga vai abrir
Cides
, que é Professor,
Brevemente irá sair
Porque vai se dedicar
Ao seu empreendimento,
À
SEDIC
, uma gráfica,
Então esse é o momento
De Nenen ter um emprego.
E assim deu-se meu assento
Primeiro de Professor.
Joaquim deu a sugestão,
Mas se não fosse Luiza,
Que me chamou pra uma ação,
Eu nem estaria ali
Naquela ocasião.
4
São inúmeros momentos
Em que Luiza ajudou
A este aqui que vos fala
E garanto não cobrou
Nem mesmo um obrigado,
Mas repito grato eu sou.
Quando eu decidi casar
Ela foi minha madrinha,
Quando eu perdi, certa feita,
O muito pouco que tinha
Ela me deu seu apoio,
Outra vez ela intervinha
Falando com a Salete
Do
CEST
, a proprietária,
Pra me arrumar um emprego
E assim minha carga horária
Passaria a ajudar
De forma extraordinária
As despesas da família,
Mas antes desse percurso
Luiza me abrigou
Quando vim fazer um concurso
No governo de Maroja,
E venci esse recurso.
Vim morar em Santa Rita
Novamente e segui
Fazendo os meus projetos,
De Luiza recebi
Todo apoio e afirmo
Incentivo só ouvi.
5
Foi assim com a capoeira,
Com o cordel e com o forró
Pé de Serra nas escolas
Desatando muito nó
Envolto de preconceito
Dos tempos de faraó
Porque não é nada fácil
Levar arte e cultura
Popular para um povo
Que muito pouco atura
A sua própria riqueza
Numa infeliz postura.
Não obstante, seguimos,
E Luiza me ajudando,
Além das escolas, praças,
Com a
FUNJOPE
apoiando
Em algumas empreitadas
E a gente realizando
Parcerias com poetas,
Professores, com brincantes,
Com artistas populares
Em variados instantes
Repetindo a ideia
De dar voz aos navegantes.
Quando eu me separei
E precisei arranjar
Um lugar lá em Lucena
Para poder me abrigar,
Luiza me ofereceu
Uma casa que tinha lá
6
E disse venha comigo,
Eu vou mostrar pra você,
Só precisamos ir lá
Limpar os móveis, varrer,
Pois tá tudo empoeirado,
E eu só posso agradecer.
Eu poderia passar
O tempo deste cordel
Falando sobre o quanto
Foi importante o papel
De Luiza em minha vida,
Mas tem coisa a granel
Que eu necessito contar
Sobre a ação dessa amiga,
Dessa irmã que considero,
Dessa pessoa que briga
Pela arte e cultura
Sem cansaço, sem fadiga.
Ela se formou em Arte
Pela UFPB
- 1992 -
E antes de formada ser
Trabalhava em Santa Rita,
João Pessoa e Bayeux.
Trabalhou no Mutirão,
Na Maria Honorina,
No Dom Bosco, no João Úrsulo
Com a sua disciplina
Plantando muita amizade
Como uma peregrina
7
Incentivando os jovens
A explorar seus talentos,
A fazer da vida, arte,
E em todos os momentos,
Seja em desenho, pintura
Ou tocando instrumentos.
Ou fazendo um teatro,
Uma música cantando,
Esculpindo uma peça,
Uma ciranda dançando
Ou outra dança do povo
Que tem gente adulterando.
Quem foi seu aluno sabe
Como ela é generosa,
Todo amigo também sabe
O quanto ela é bondosa,
Vou citar só um exemplo
Da pessoa amorosa.
Ela casou por estar
Muito, muito apaixonada,
Mas depois de pouco tempo
Ficou decepcionada
Com as ações do companheiro
Que a deixou traumatizada.
Aí ela se separou
E seguiu a sua vida
Com os dois filhos pequenos
Tendo bela acolhida
Dos seus pais e dos irmãos
Porque sempre foi querida.
Pois bem, depois de um tempo
Adoece o ex-parceiro,
Luiza esquece o passado
E com o agir costumeiro
Até a hora da morte
Ajuda o ex-companheiro.
8
Lourdinha
e
Jailtinho
São os seus filhos queridos,
Parceiros desde a infância
Em todos os produzidos
Culturais, em ganha pão,
Em todos frutos colhidos.
É avó de
Isabelle
,
De
Gabriel
, de Ester,
E avó de coração,
Para o que der e vier,
Gustavo, Maria Luiza,
Filhos de uma mulher
Querida há muito tempo,
Sua filha de criação,
Claudiane, ex-aluna,
Que em toda situação
É bem mais que um presente,
É amor, dedicação.
Luiza, em Santa Rita,
Começou a trabalhar
Muito nova no comércio
Para a família ajudar,
Foi garota estudantil,
Normalista a optar
Depois em seguir carreira,
Virou sinônimo de arte,
De cultura, de alegria,
É como um baluarte
No estímulo à criação
E com certeza faz parte
Da memória afetiva
Do Bairro da Liberdade,
Onde está a sua casa,
Que cumpre a finalidade
De abrigar arte e cultura
Pro bem de toda a cidade.
9
Como uma Diretora
De Maroja na cultura,
Luiza teve papel
De grande desenvoltura,
Pois ajudou em projetos
De importante envergadura:
Eventos em praça pública
De cultura popular,
A ocupação do Coreto
Para o povo apreciar
Os artistas da cidade
E é bom sempre lembrar
A luta pelo teatro
Na praça do Pirulito,
Que o gestor subsequente,
Só de raiva eu não cito
Seu nome porque o cabra
Acabou tudo, o maldito.
Santa Rita não esquece
O seu Grupo Massapê,
Que Luiza ajudou
A criar, a florescer,
A levar as nossas danças
Para o mundo conhecer.
Infelizmente foi outro
Patrimônio esquecido
Depois que a amiga Luiza
Teve o mandato cumprido
Na cultura da cidade
E muito fora perdido.
10
Foi devido ao descaso
Dos governos da cidade
Que Luiza decidiu
Criar uma entidade
De cultura com o fim
De dar oportunidade
Aos jovens, às crianças,
Ao idoso, a todo mundo
De conhecer, de cuidar
De um saber oriundo
Da cultura popular,
Porém belo e fecundo.
Aí ela reuniu
Uns amigos e Adriano
Na sua casa e começou
Essa história no ano,
No ano 2005
Para um cotidiano
Que respirava cultura
E sonhos, principalmente,
Pro Dia Nascer Feliz
Pra alegria da gente
Foi a ONG então criada
E segue muito presente
Levando entretenimento,
Contudo sua ação
Primordial é levar
Ao povo educação
Através da arte, esporte,
Cultura e tradição
11
Contida em todo festejo
De origem popular.
A ONG tem a missão
De mãos dadas caminhar
Com sua comunidade
E o bem-fazer cultivar,
Seja com as Flores Belas,
Que dançam em todo o canto,
Seja com as oficinas
Que são como um acalanto
Pra quem precisa aprender
Um ofício e para tanto
A ONG faz parceria
Com toda a sociedade,
Com quem deseja ajudar
As pessoas, de verdade,
E pra ilustrar vou citar
Um pouco da atividade
Junto aos seus parceiros
Pro Dia Nascer Feliz
Pra ajudar a comunidade,
Pra ser uma diretriz
Numa ação cultural
Constante, eficaz, motriz.
Certas instituições,
Em algum momento dado,
Foram muito importantes,
Ajudaram no legado
De prestar atendimento
A quem buscou o cuidado:
12
A FUNJOPE, em João Pessoa,
A
Prefeitura daqui
Nalgumas atividades,
Governo do Estado
que
Junto ao
CSU
Tem a missão de incluir
Crianças, adolescentes,
Idoso, jovem em geral.
Também foi muito importante
A ajuda material
Do
CCJAA
ou do CEST
E do comércio local.
O
Instituto Alpargatas
,
Sem dúvida o maior parceiro
Em ações em Guarabira,
Serra Redonda, Mogeiro,
Alagoa Nova, Ingá,
Agindo tal candeeiro
Num projeto intitulado
Educando pelo Esporte.
A ONG em Santa Rita
Tem sido grande suporte
Oferecendo ao povo
Além de cultura, um norte.
E Luiza é timoneira
Que conduz o navegar
Dessa instituição
Cujo fim é operar
Ações para que o ser
Possa a vida transformar.
13
Luiza, aqui na cidade,
Fez parte da criação
De importante organismo
De rede de proteção
À criança e adolescente,
Além de valorosa ação:
Conselheira de Cultura,
Em âmbito municipal,
Criou Quadrilha Junina
E deu nome ao arraial
De Fazenda Liberdade
E cria pro carnaval
Um Bloco Carnavalesco
O
Asas da Liberdade
,
Depois cria o Foliões
Bloco da Melhor Idade,
Coordena o arraiá
Importante da cidade
Chamado de Arraiá
Pro Dia Nascer Feliz,
Também cria o Festival
Pra brincante, ator, atriz,
Onde as Quadrilhas Juninas
São um grande chamariz
Reunindo municípios
Dessa vasta região.
Luiza cria e coordena
Grupo de nomeação
O
Flores Belas e Cravos
,
Que faz da dança missão,
14
E desde 2005,
Quando a ONG foi fundada.
Como reconhecimento
Luiza foi nomeada
Pra gerir o CSU
Numa ação destacada,
E há mais de 13 anos,
Com responsabilidade,
Com amor, com transparência,
Respeito, dignidade
Em prol da arte e cultura
Do povo dessa cidade.
Desde o ano 2010
Luiza é filiada
Partido PSB,
É devota consagrada
À Santa Nossa Senhora,
Parceira de caminhada.
Recebeu votos de aplausos
E título de cidadã
Santa-ritense por ser
Importante guardiã
Da cultura da cidade
Na Câmara certa manhã.
Esse reconhecimento
Partiu de
Sebastião
Do Sindicato
e
Alysson
Gomes
, que na ocasião
Eram os vereadores
Quando houve a aprovação
Unânime de toda a casa,
Que fez uma homenagem
Justíssima pra uma mulher
Que levou aprendizagem
Além dos muros da escola
E é sim um personagem
15
De luta, fé, amizade,
Que na vida é guerreira,
Educando gerações
Através da brincadeira
Na busca de ser feliz
Tendo arte como bandeira.
Muitas pessoas amigas,
Direta ou indiretamente,
Contribuem nessa luta
De Luiza enormemente,
Vou me conter em citá-las,
Pois de fato, é muita gente.
Isso prova a importância
Do trabalho coletivo,
Mas que precisa da voz,
Do pensar, do incentivo,
De alguém visionário,
Sonhador e criativo.
Esse é o perfil de Luiza
Que fez da sua casa arte,
Que consegue aglutinar
Amigos por toda parte
Em prol de um mesmo sonho
Que crie, partilhe e farte
Criança, jovem, idoso
De esperança, alegria,
Conhecimento, ternura,
De gratidão todo dia
E solidariedade,
O motor da harmonia.
Por falar em gratidão,
Esse é o meu sentimento,
Muito obrigado, Luiza,
Por tudo em todo momento,
Receba essa homenagem
Como agradecimento.
16
Francisco Diniz, Santa Rita-PB, 26.09 a 15.10.2025.
@franciscodinizcordel
Currículo de Luiza Flores